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De 2000 até 2020 o PIB da agropecuária cresceu 102,8% contra 53,8% de todo PIB nacional (fonte ABAG). E, no primeiro trimestre de 2021 a agropecuária cresceu 5,2% contra o PIB brasileiro de apenas 1%.

Em época de grandes crises as incertezas prevalecem, como nos ensinou Daniel Kahneman, Nobel da economia 2002, que afirmava ser o acaso uma constante econômica na história da humanidade como Covid 19 bem exemplifica. Nesse caso as commodities viram recursos estratégicos e favorecem os países que tem alimentos, ferro, petróleo. Hoje dentre 26 estados brasileiros 16 deles tem em produtos do agronegócio o seu principal item de exportação. E outros 8 são oriundos da mineração e petróleo. Portanto o Brasil além de ser o celeiro do mundo, é também um “metaleiro” com ferro, alumínio, ouro e petróleo.

Em paralelo ao crescimento das commodities também observamos uma grande valorização do dólar perante o real, e como muitos sábios economistas, incluindo o também amigo ministro Roberto Rodrigues afirmam, agro é câmbio. Aparecemos como um dos países campeões na desvalorização da moeda, e para isso ocorrem diversos aspectos de ordem política, estratégica e o estrago da própria Covid 19. Porém, nos salvando, nos transformamos nos reis da soja no planeta com uma colheita na casa de 135 milhões de toneladas e os maiores exportadores. O milho infelizmente em função do clima está sofrendo na safrinha, teremos uma colheita ainda indefinida mas bem abaixo das estimativas e da necessidade do abastecimento interno do país. Conversei esta semana com um grande produtor de ovos de Bastos, a capital do ovo no interior de São Paulo e ele me disse que está atuando com prejuízo pois não consegue repassar o aumento de custo do milho que hoje significa R$ 95 reais uma saca de 60 kg mais do que 3 vezes o preço de um ano atrás.

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Portanto neste cenário temos um ótimo ambiente para quem vende, tem produção e exporta. No período de janeiro a abril deste ano aumentamos 19,8% a exportação do agronegócio. O setor representou 45,1% de tudo o que foi exportado pelo país. Graças as commodities, aos grãos principalmente, e carnes, o PIB da agropecuária cresceu 5,2% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, enquanto o PIB brasileiro como um todo cresceu apenas 1%. Ao compararmos também no ano de 2020, o PIB do agro crescia da mesma forma 5,7% versus apenas 1,2% do PIB total nacional.

Superamos a casa dos US$ 100 bilhões de exportações no agronegócio, mantivemos o superávit nas contas entre o que vendemos e o que importamos, e com isso grande parte do interior do país segue impulsionado pelas contas positivas das exportações do agronegócio.

Também podemos observar o crescimento das cooperativas agrícolas e agroindustriais do Brasil, sempre com 2 dígitos, aumento de associados, e também o cooperativismo de crédito. Vendas de máquinas, fertilizantes, sementes e defensivos, cresceram, surgimento das inovações como bioinsumos e startups. Mais crédito com muitas operações de troca com a iniciativa privada, e antecipação das negociações de insumos para travar custos bem antes da nova safra do segundo semestre.

E aí agricultores fiquem de olho nos custos. Portanto se não tivéssemos o agronegócio que temos a situação econômica do país seria crítica. Agora, isso não pode se transformar numa ilusão de mares calmos, pois os ciclos econômicos e das commodities são as maiores certezas dentro das incertezas, assim como taxas do cambio.

Por isso conversando com o economista Antônio da Luz da Farsul, ele alerta para os riscos de agricultores que não sejam precavidos e prudentes, enfrentarem problemas na virada das baixas de preços e de taxas mais equilibradas do dólar. O principal conselho para os agricultores capitalizados hoje, é que invistam na gestão, na

digitalização, no uso consciente da tecnologia e dos insumos. Que se preocupem com a sucessão de suas propriedades. Que permitam a diversidade com a participação das mulheres, pois constatamos que elas são verdadeiras “aceleradoras da inovação“ onde compartilham da administração. Que se apropriem do conhecimento da agricultura de baixo carbono e que diversifiquem, produzindo mais e melhor com irrigação e integração lavoura, pecuária e floresta.

Se por um lado as exportações tem sido fundamental para a economia do país, e a agropecuária a salvação de mais de 20 anos, precisamos agora cuidar também da população participando dos programas de combate à fome, ao desperdício, e atuando na difusão do consumo consciente. E se puderem pensem no biogás com biodigestores e geradores para obter independência energética nas propriedades.

De fato, as commodities, as exportações, a demanda mundial continuará forte. Recursos para retomada do crescimento econômico do mundo já surgem nos Estados Unidos, Europa, China, os três maiores alavancadores econômicos do planeta. O combate à fome e insegurança alimentar no mundo irá se desenvolver em 2022 e nos próximos anos, e o Brasil pode objetivar dobrar o agro de tamanho até 2030, se tivermos um planejamento estratégico das principais cadeias produtivas incluindo segurança aos produtores com armazenagem, irrigação, e seguro rural.

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Os dados sobre o agro e seu impacto na economia são abundantes. Na última década, ela só não foi perdida graças ao setor, novamente. De 2011 a 2020, de novo a dimensão do crescimento da agropecuária fica ainda mais evidente perante toda a economia nacional. Nesse período o PIB do setor cresceu 32,5% enquanto o produto interno bruto do Brasil cresceu apenas 2,7%.(ABAG).

Agora, como aprendi com Shunji Nishimura, fundador da Jacto, de Pompeia – SP, com quem tive a sorte de conviver nos meus primeiros 6 anos de vida profissional, ele dizia: “Tejon, ano bom prepara para ano ruim, quando vem ano ruim se você estiver preparado vai crescer mais do que todo mundo“.

Fiquem de olho na ciência, no melhor uso das tecnologias e não tenham medo do mercado. Ele seguirá gigantesco na área dos alimentos, mas acreditem nos ciclos de altas e baixas, incluindo câmbio, o que dificilmente alguém consegue prever com exatidão.

Meu desejo para a próxima safra? Que o Brasil pudesse atingir 300 milhões de toneladas, com muito mais milho, soja, arroz, feijão, algodão, trigo. Impossível? Muita coisa impossível já virou possível, basta olharmos a própria história do agronegócio brasileiro.

De 2000 até 2020 o PIB da agropecuária cresceu 102,8% contra 53,8% de todo PIB nacional (fonte ABAG). E, no primeiro trimestre de 2021 a agropecuária cresceu 5,2% contra o PIB brasileiro de apenas 1%.

Em época de grandes crises as incertezas prevalecem, como nos ensinou Daniel Kahneman, Nobel da economia 2002, que afirmava ser o acaso uma constante econômica na história da humanidade como Covid 19 bem exemplifica. Nesse caso as commodities viram recursos estratégicos e favorecem os países que tem alimentos, ferro, petróleo. Hoje dentre 26 estados brasileiros 16 deles tem em produtos do agronegócio o seu principal item de exportação. E outros 8 são oriundos da mineração e petróleo. Portanto o Brasil além de ser o celeiro do mundo, é também um “metaleiro” com ferro, alumínio, ouro e petróleo.

Em paralelo ao crescimento das commodities também observamos uma grande valorização do dólar perante o real, e como muitos sábios economistas, incluindo o também amigo ministro Roberto Rodrigues afirmam, agro é câmbio. Aparecemos como um dos países campeões na desvalorização da moeda, e para isso ocorrem diversos aspectos de ordem política, estratégica e o estrago da própria Covid 19. Porém, nos salvando, nos transformamos nos reis da soja no planeta com uma colheita na casa de 135 milhões de toneladas e os maiores exportadores. O milho infelizmente em função do clima está sofrendo na safrinha, teremos uma colheita ainda indefinida mas bem abaixo das estimativas e da necessidade do abastecimento interno do país. Conversei esta semana com um grande produtor de ovos de Bastos, a capital do ovo no interior de São Paulo e ele me disse que está atuando com prejuízo pois não consegue repassar o aumento de custo do milho que hoje significa R$ 95 reais uma saca de 60 kg mais do que 3 vezes o preço de um ano atrás.

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Portanto neste cenário temos um ótimo ambiente para quem vende, tem produção e exporta. No período de janeiro a abril deste ano aumentamos 19,8% a exportação do agronegócio. O setor representou 45,1% de tudo o que foi exportado pelo país. Graças as commodities, aos grãos principalmente, e carnes, o PIB da agropecuária cresceu 5,2% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, enquanto o PIB brasileiro como um todo cresceu apenas 1%. Ao compararmos também no ano de 2020, o PIB do agro crescia da mesma forma 5,7% versus apenas 1,2% do PIB total nacional.

Superamos a casa dos US$ 100 bilhões de exportações no agronegócio, mantivemos o superávit nas contas entre o que vendemos e o que importamos, e com isso grande parte do interior do país segue impulsionado pelas contas positivas das exportações do agronegócio.

Também podemos observar o crescimento das cooperativas agrícolas e agroindustriais do Brasil, sempre com 2 dígitos, aumento de associados, e também o cooperativismo de crédito. Vendas de máquinas, fertilizantes, sementes e defensivos, cresceram, surgimento das inovações como bioinsumos e startups. Mais crédito com muitas operações de troca com a iniciativa privada, e antecipação das negociações de insumos para travar custos bem antes da nova safra do segundo semestre.

E aí agricultores fiquem de olho nos custos. Portanto se não tivéssemos o agronegócio que temos a situação econômica do país seria crítica. Agora, isso não pode se transformar numa ilusão de mares calmos, pois os ciclos econômicos e das commodities são as maiores certezas dentro das incertezas, assim como taxas do cambio.

Por isso conversando com o economista Antônio da Luz da Farsul, ele alerta para os riscos de agricultores que não sejam precavidos e prudentes, enfrentarem problemas na virada das baixas de preços e de taxas mais equilibradas do dólar. O principal conselho para os agricultores capitalizados hoje, é que invistam na gestão, na

digitalização, no uso consciente da tecnologia e dos insumos. Que se preocupem com a sucessão de suas propriedades. Que permitam a diversidade com a participação das mulheres, pois constatamos que elas são verdadeiras “aceleradoras da inovação“ onde compartilham da administração. Que se apropriem do conhecimento da agricultura de baixo carbono e que diversifiquem, produzindo mais e melhor com irrigação e integração lavoura, pecuária e floresta.

Se por um lado as exportações tem sido fundamental para a economia do país, e a agropecuária a salvação de mais de 20 anos, precisamos agora cuidar também da população participando dos programas de combate à fome, ao desperdício, e atuando na difusão do consumo consciente. E se puderem pensem no biogás com biodigestores e geradores para obter independência energética nas propriedades.

De fato, as commodities, as exportações, a demanda mundial continuará forte. Recursos para retomada do crescimento econômico do mundo já surgem nos Estados Unidos, Europa, China, os três maiores alavancadores econômicos do planeta. O combate à fome e insegurança alimentar no mundo irá se desenvolver em 2022 e nos próximos anos, e o Brasil pode objetivar dobrar o agro de tamanho até 2030, se tivermos um planejamento estratégico das principais cadeias produtivas incluindo segurança aos produtores com armazenagem, irrigação, e seguro rural.

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Os dados sobre o agro e seu impacto na economia são abundantes. Na última década, ela só não foi perdida graças ao setor, novamente. De 2011 a 2020, de novo a dimensão do crescimento da agropecuária fica ainda mais evidente perante toda a economia nacional. Nesse período o PIB do setor cresceu 32,5% enquanto o produto interno bruto do Brasil cresceu apenas 2,7%.(ABAG).

Agora, como aprendi com Shunji Nishimura, fundador da Jacto, de Pompeia – SP, com quem tive a sorte de conviver nos meus primeiros 6 anos de vida profissional, ele dizia: “Tejon, ano bom prepara para ano ruim, quando vem ano ruim se você estiver preparado vai crescer mais do que todo mundo“.

Fiquem de olho na ciência, no melhor uso das tecnologias e não tenham medo do mercado. Ele seguirá gigantesco na área dos alimentos, mas acreditem nos ciclos de altas e baixas, incluindo câmbio, o que dificilmente alguém consegue prever com exatidão.

Meu desejo para a próxima safra? Que o Brasil pudesse atingir 300 milhões de toneladas, com muito mais milho, soja, arroz, feijão, algodão, trigo. Impossível? Muita coisa impossível já virou possível, basta olharmos a própria história do agronegócio brasileiro.