A cara do produtor digital - Revista Syngenta Digital
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Do interior do Rio Grande do Sul para um dos principais polos do agronegócio no Brasil. A Trajetória de Edson Vendruscolo pode até ser confundida com roteiro de filme. Conciliando estudos e trabalho, fez de tudo: foi auxiliar mecânico, trabalhou em fruteira, atuou como cobrador de loja e teve até uma churrascaria. Técnico em contabilidade, seguiu para a Universidade Federal de Santa Maria, onde tomou gosto pela inovação.
Hoje, fundador e Ceo do Grupo Velho Tata, nome que homenageia seu pai, Edson chegou a ser diretor da O Telhar, um dos principais grupos agrícolas do País. Conheça a história de quem ouviu falar de tecnologias digitais para a agricultura e acreditou no seu potencial. Queria informações confiáveis para alimentar um sistema e finalmente dar adeus às planilhas de Excel. Alguns anos depois, gerencia grandes operações com suporte de ferramentas que dão apoio nas mais importantes tomadas de decisão.

Leia nosso bate-papo com Edson, que nos recebeu em Primavera do Leste, no Mato Grosso.

“Quando não estou na fazenda, eu estou no escritório ou em deslocamento”

  • 01 O agro está com você desde a infância?

    Meu pai sempre trabalhou no agro. Quando me conheci por gente, ele já estava no agro. No Sul, era o que se chamava de capataz, que seria o gerente de uma fazenda. Nós morávamos em fazenda até os cinco anos, quando viemos morar na cidade, meu pai começou a plantar por conta própria junto com o sobrinho dele. Fui interagindo cada vez mais com o agro. Acabei me envolvendo cada vez mais forte com isso. Em 1986, a gente veio morar no Mato Grosso, em Primavera do Leste. Meu pai tinha propriedade, ele acabou falindo financeiramente e aí veio pra Primavera. A gente ficou quatro meses só e retornamos. Parei um ano de estudar, fiquei morando com minha mãe no interior, meu pai trabalhando noutra fazenda e as minhas irmãs morando na cidade para estudar.

  • 02 Como foi sua formação?

    No segundo grau, na minha cidade, o curso  Técnico em Contabilidade só tinha à noite. Pra trabalhar de dia e estudar de noite, acabei formando em técnico em Contabilidade. Nesses três, quatro anos de estudos, tive churrascaria, tive bar em escola particular, onde vendia quitutes e merendas. Fui auxiliar de mecânico, trabalhei em fruteira, fui cobrador de loja. Fiz tudo isso aí. Quando terminou meu segundo grau, eu fui ser colega do meu pai, trabalhar junto com ele numa propriedade. Ele era operador mais sênior, e eu estava aprendendo. Eram propriedades pequenas do sul, a gente fazia de tudo. Depois disso, fui trabalhar de auxiliar de mecânico. De segunda a sexta, a gente ficava na fazenda. No sábado, a gente trabalhava na cidade.

    Depois, um produtor, por sinal, meu primo, me chamou pra trabalhar. Fui trabalhar em fazenda, como operador. A gente foi aprendendo a operar: operador de trator, de colhedora e de enxada. Foi aí onde eu resolvi mudar minha caneta, achar uma caneta mais leve. Entrei na faculdade com 23 anos, tive a bênção de passar no vestibular e conseguir entrar na federal de Santa Maria. Consegui bolsa em iniciação científica e acredito que daí veio o gosto pela validação, pela inovação, aprendi sobre curiosidade e a querer avaliar e ser meio São Tomé, ver pra crer.

  • 03 Revista Syngenta Digital: E como foi seu caminho depois da faculdade?

    Depois que eu formei, tive outra oportunidade incrível. Um ano antes de formar, já consegui um trabalho. De ser trainee que fazia função de gerente agrícola de uma empresa que plantava cinco mil hectares no Rio Grande do Sul. Eram três fazendas, precisavam de três gerentes. Ganhei carta branca do meu chefe pra montar meu time. A primeira contratação que eu fiz foi meu pai. Foi minha outra grande aprendizagem: é um dos caras que tive prazer de viver e que mais gostou de agricultura, que mais viveu esse agro, a lavoura, a roça. Fui aprendendo um pouquinho do que sei.

“Antes de sair pra trabalhar, eu tomo um bom banho, faço minha oração e, em média duas vezes por semana, faço minha corrida”

  • 04 Quando você chegou no centro-oeste?

    Fui pra SLC [Agrícola], em Goiás. Outra experiência fantástica porque conheci outras culturas: tomate, milho doce, algodão, café, ervilha, feijão em grande quantidade colhido com máquina. Depois, voltei pro Sul, montei minha consultoria técnica e de gestão de processos com financiamento, captação de recursos para o produtor. E aí, apareceu a oportunidade de vir pro centro-oeste novamente, voltado pra ser gerente de uma fazenda. Fui pra Primavera [do Leste] para ser gerente do grupo Fazenda Nova, para voltar a atuar num grande centro. O Centro-Oeste é o que tem de diferente hoje no mercado do agro. Via o algodão como cultura profissionalizante e que ia trazer condições de o agro evoluir, fazer as coisas aconteceram. Depois, foi vendido. A O Telhar nos absorveu. Depois, fui pra Cantagalo. E aí, voltamos pro projeto de reestruturação da O Telhar.

  • 05 Como surgiu a Velho Tato?

    Em 2019, eu entendi que estava na hora de eu começar a criar uma carreira de produtor também. Criar uma empresa que fosse a marca do Edson. Por isso, o nome é Velho Tatá, em homenagem ao meu pai. Assim que eu fui me tornando produtor. Hoje, a gente está no segundo ano. Temos duas unidades, são pequenas. São contíguas, então ajuda. Já estamos na casa de começar a se entreter. Desse jeito que chegamos aí.

  • 06 Como é o dia a dia do produtor que usa o digital?

    O digital ajuda em duas situações: um é o acesso rápido a uma informação. Tenho um celular na mão, consigo acessar um ponto que teria que ir no escritório olhar caderneta ou bloco de anotações ou num desktop. Algumas vezes, estou em viagem, estou no meio do campo, tenho acesso a Wifi e, no meio da rua, consigo ter informação melhor. Você pode estar tentando fazer um negócio, chegar numa revenda e tirar uma informação: qual foi meu último monitoramento, se preciso comprar esse produto ou não. A informação está à palma da mão.

    Você acorda, pode dar uma primeira olhada em todos os processos, tanto de monitoramento quanto de telemetria ou reporte do BI [Business Intelligence]. Quando chego no escritório ou em casa, abro o laptop e consigo olhar de uma forma melhor, olhar o gráfico de forma diferente. O dashboard do Cropwise Protector me dá informação que posso tomar decisão para frente. É entender o que aconteceu ontem e o que a gente pode programar pra hoje.

  • 07 Como fica a relação com o campo quando se usa o digital?

    Aquilo que você recebe de informação é importante checar, estar no campo calibrando o olho com a informação que recebe. Quem faz apontamento precisa estar alinhado com você. O monitoramento vai me dizer se eu tenho tantas pragas, número de pragas, se tenho distribuição de coeficiente de variação. Faço check e conferência disso. Confirmando, isso vai se tornando confiável. Posso tomar decisões pautadas no digital. Não preciso ir no campo todo dia. Isso que está aparecendo na minha tela é real. Tomo decisões sem precisar estar lá ou ligar pro técnico.

“Antes de dormir, eu olho se tem algum retorno em WhatsApp ou e-mail e agradeço pelo dia que tive”

  • 08 Que diferença o digital leva para a operação?

    O dia de um produtor que usa o digital tem uma ferramenta de acesso mais rápida e mais segura do que um produtor normal. A tomada de decisão pode ser significativa para fazer diferença na margem agrícola dele contra o mercado normal. Não entendo que a tecnologia gere mais produtividade, ela nos ajuda a melhorar o resultado operacional e a margem agrícola do negócio.

  • 09 Como foi seu primeiro contato com a agricultura digital?

    Quando eu escutei a primeira vez a falar sobre agricultura digital, foi da agricultura de precisão. Vou lá fazer uma coletas com grid de coletas, vou fazer uma aplicação que tem uma taxa variável. Isso era o máximo, né? E a primeira busca que eu tive foi pra pensar num pluviômetro digital. Nós precisávamos ter alguma coisa que nós parássemos de ir na lavoura em dia de chuva com uma moto, botando em risco nosso colaborador. A segunda linha que a gente pensou na agricultura digital foi quando eu estava no Rio Grande do Sul ainda, começamos a pensar que nós temos que ter informação para alimentar um sistema, para sair de um Excel simples.

“Um dia perfeito no campo é um dia produtivo em que temos interação com a equipe”

  • 10 Houve uma mudança de paradigma com a adoção do digital nas fazendas?

    A gente vinha numa caderneta, por exemplo, para um escrever, o outro ter que ler, interpretar e digitar isso aí. E nós vamos tendo que tipo de informações? Eu vejo que essa parte foi um dos desafios, de começar a colocar pro time que aquilo que ele estava fazendo, dentro de um programa de monitoramento, ele ia começar num tablet ou num smartphone. E aí, começam os primeiros paradigmas, né? Isso aqui é muito lento, isso aqui não abre offline, isso aqui tem uma dificuldade para achar, para entender onde que está a praga. Mas as coisas vão evoluindo, e isso foi o mais interessante. A gente conseguir mostrar qual o benefício disso tudo.

  • 11 Quais os benefícios da agricultura digital?

    A gente conseguiu ter informações mais fidedignas e, dessa forma, começar a ser mais assertivo nas tomadas de decisões. E cada tomada de decisão, hoje, tem um impacto muito forte. Porque, no agro, cada cultura, a gente faz uma vez por ano. Se eu acertei, eu tenho um ano bom, mas se eu errei, eu só tenho daqui a um ano para corrigir de novo. E dessa forma que a gente foi entendendo, inovando e trazendo o digital para o nosso grupo.

  • 12 Como você vê o papel das empresas de tecnologia que produzem as ferramentas digitais para o campo?

    A pessoa que vai ajudar a construir isso, por parte da empresa, seja telemetria, seja monitoramento, já tem que ter trocado a pele no sol, já tem que ter sentido um pouco o cheiro da chuva no campo, tem que ver o sol se pôr e o sol nascer dentro de uma fazenda, vendo o acompanhamento de cada operação. No final do dia, o proprietário da fazenda, o dono, o gestor da empresa só paga a conta. Quem cria e usa é quem está na ponta.

“O fim de semana ideal é de descanso e comemoração pela semana”

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“Quando não estou na fazenda, eu estou no escritório ou em deslocamento”

  • 01 O agro está com você desde a infância?

    Meu pai sempre trabalhou no agro. Quando me conheci por gente, ele já estava no agro. No Sul, era o que se chamava de capataz, que seria o gerente de uma fazenda. Nós morávamos em fazenda até os cinco anos, quando viemos morar na cidade, meu pai começou a plantar por conta própria junto com o sobrinho dele. Fui interagindo cada vez mais com o agro. Acabei me envolvendo cada vez mais forte com isso. Em 1986, a gente veio morar no Mato Grosso, em Primavera do Leste. Meu pai tinha propriedade, ele acabou falindo financeiramente e aí veio pra Primavera. A gente ficou quatro meses só e retornamos. Parei um ano de estudar, fiquei morando com minha mãe no interior, meu pai trabalhando noutra fazenda e as minhas irmãs morando na cidade para estudar.

  • 02 Como foi sua formação?

    No segundo grau, na minha cidade, o curso  Técnico em Contabilidade só tinha à noite. Pra trabalhar de dia e estudar de noite, acabei formando em técnico em Contabilidade. Nesses três, quatro anos de estudos, tive churrascaria, tive bar em escola particular, onde vendia quitutes e merendas. Fui auxiliar de mecânico, trabalhei em fruteira, fui cobrador de loja. Fiz tudo isso aí. Quando terminou meu segundo grau, eu fui ser colega do meu pai, trabalhar junto com ele numa propriedade. Ele era operador mais sênior, e eu estava aprendendo. Eram propriedades pequenas do sul, a gente fazia de tudo. Depois disso, fui trabalhar de auxiliar de mecânico. De segunda a sexta, a gente ficava na fazenda. No sábado, a gente trabalhava na cidade.

    Depois, um produtor, por sinal, meu primo, me chamou pra trabalhar. Fui trabalhar em fazenda, como operador. A gente foi aprendendo a operar: operador de trator, de colhedora e de enxada. Foi aí onde eu resolvi mudar minha caneta, achar uma caneta mais leve. Entrei na faculdade com 23 anos, tive a bênção de passar no vestibular e conseguir entrar na federal de Santa Maria. Consegui bolsa em iniciação científica e acredito que daí veio o gosto pela validação, pela inovação, aprendi sobre curiosidade e a querer avaliar e ser meio São Tomé, ver pra crer.

  • 03 Revista Syngenta Digital: E como foi seu caminho depois da faculdade?

    Depois que eu formei, tive outra oportunidade incrível. Um ano antes de formar, já consegui um trabalho. De ser trainee que fazia função de gerente agrícola de uma empresa que plantava cinco mil hectares no Rio Grande do Sul. Eram três fazendas, precisavam de três gerentes. Ganhei carta branca do meu chefe pra montar meu time. A primeira contratação que eu fiz foi meu pai. Foi minha outra grande aprendizagem: é um dos caras que tive prazer de viver e que mais gostou de agricultura, que mais viveu esse agro, a lavoura, a roça. Fui aprendendo um pouquinho do que sei.

“Antes de sair pra trabalhar, eu tomo um bom banho, faço minha oração e, em média duas vezes por semana, faço minha corrida”

  • 04 Quando você chegou no centro-oeste?

    Fui pra SLC [Agrícola], em Goiás. Outra experiência fantástica porque conheci outras culturas: tomate, milho doce, algodão, café, ervilha, feijão em grande quantidade colhido com máquina. Depois, voltei pro Sul, montei minha consultoria técnica e de gestão de processos com financiamento, captação de recursos para o produtor. E aí, apareceu a oportunidade de vir pro centro-oeste novamente, voltado pra ser gerente de uma fazenda. Fui pra Primavera [do Leste] para ser gerente do grupo Fazenda Nova, para voltar a atuar num grande centro. O Centro-Oeste é o que tem de diferente hoje no mercado do agro. Via o algodão como cultura profissionalizante e que ia trazer condições de o agro evoluir, fazer as coisas aconteceram. Depois, foi vendido. A O Telhar nos absorveu. Depois, fui pra Cantagalo. E aí, voltamos pro projeto de reestruturação da O Telhar.

  • 05 Como surgiu a Velho Tato?

    Em 2019, eu entendi que estava na hora de eu começar a criar uma carreira de produtor também. Criar uma empresa que fosse a marca do Edson. Por isso, o nome é Velho Tatá, em homenagem ao meu pai. Assim que eu fui me tornando produtor. Hoje, a gente está no segundo ano. Temos duas unidades, são pequenas. São contíguas, então ajuda. Já estamos na casa de começar a se entreter. Desse jeito que chegamos aí.

  • 06 Como é o dia a dia do produtor que usa o digital?

    O digital ajuda em duas situações: um é o acesso rápido a uma informação. Tenho um celular na mão, consigo acessar um ponto que teria que ir no escritório olhar caderneta ou bloco de anotações ou num desktop. Algumas vezes, estou em viagem, estou no meio do campo, tenho acesso a Wifi e, no meio da rua, consigo ter informação melhor. Você pode estar tentando fazer um negócio, chegar numa revenda e tirar uma informação: qual foi meu último monitoramento, se preciso comprar esse produto ou não. A informação está à palma da mão.

    Você acorda, pode dar uma primeira olhada em todos os processos, tanto de monitoramento quanto de telemetria ou reporte do BI [Business Intelligence]. Quando chego no escritório ou em casa, abro o laptop e consigo olhar de uma forma melhor, olhar o gráfico de forma diferente. O dashboard do Cropwise Protector me dá informação que posso tomar decisão para frente. É entender o que aconteceu ontem e o que a gente pode programar pra hoje.

  • 07 Como fica a relação com o campo quando se usa o digital?

    Aquilo que você recebe de informação é importante checar, estar no campo calibrando o olho com a informação que recebe. Quem faz apontamento precisa estar alinhado com você. O monitoramento vai me dizer se eu tenho tantas pragas, número de pragas, se tenho distribuição de coeficiente de variação. Faço check e conferência disso. Confirmando, isso vai se tornando confiável. Posso tomar decisões pautadas no digital. Não preciso ir no campo todo dia. Isso que está aparecendo na minha tela é real. Tomo decisões sem precisar estar lá ou ligar pro técnico.

“Antes de dormir, eu olho se tem algum retorno em WhatsApp ou e-mail e agradeço pelo dia que tive”

  • 08 Que diferença o digital leva para a operação?

    O dia de um produtor que usa o digital tem uma ferramenta de acesso mais rápida e mais segura do que um produtor normal. A tomada de decisão pode ser significativa para fazer diferença na margem agrícola dele contra o mercado normal. Não entendo que a tecnologia gere mais produtividade, ela nos ajuda a melhorar o resultado operacional e a margem agrícola do negócio.

  • 09 Como foi seu primeiro contato com a agricultura digital?

    Quando eu escutei a primeira vez a falar sobre agricultura digital, foi da agricultura de precisão. Vou lá fazer uma coletas com grid de coletas, vou fazer uma aplicação que tem uma taxa variável. Isso era o máximo, né? E a primeira busca que eu tive foi pra pensar num pluviômetro digital. Nós precisávamos ter alguma coisa que nós parássemos de ir na lavoura em dia de chuva com uma moto, botando em risco nosso colaborador. A segunda linha que a gente pensou na agricultura digital foi quando eu estava no Rio Grande do Sul ainda, começamos a pensar que nós temos que ter informação para alimentar um sistema, para sair de um Excel simples.

“Um dia perfeito no campo é um dia produtivo em que temos interação com a equipe”

  • 10 Houve uma mudança de paradigma com a adoção do digital nas fazendas?

    A gente vinha numa caderneta, por exemplo, para um escrever, o outro ter que ler, interpretar e digitar isso aí. E nós vamos tendo que tipo de informações? Eu vejo que essa parte foi um dos desafios, de começar a colocar pro time que aquilo que ele estava fazendo, dentro de um programa de monitoramento, ele ia começar num tablet ou num smartphone. E aí, começam os primeiros paradigmas, né? Isso aqui é muito lento, isso aqui não abre offline, isso aqui tem uma dificuldade para achar, para entender onde que está a praga. Mas as coisas vão evoluindo, e isso foi o mais interessante. A gente conseguir mostrar qual o benefício disso tudo.

  • 11 Quais os benefícios da agricultura digital?

    A gente conseguiu ter informações mais fidedignas e, dessa forma, começar a ser mais assertivo nas tomadas de decisões. E cada tomada de decisão, hoje, tem um impacto muito forte. Porque, no agro, cada cultura, a gente faz uma vez por ano. Se eu acertei, eu tenho um ano bom, mas se eu errei, eu só tenho daqui a um ano para corrigir de novo. E dessa forma que a gente foi entendendo, inovando e trazendo o digital para o nosso grupo.

  • 12 Como você vê o papel das empresas de tecnologia que produzem as ferramentas digitais para o campo?

    A pessoa que vai ajudar a construir isso, por parte da empresa, seja telemetria, seja monitoramento, já tem que ter trocado a pele no sol, já tem que ter sentido um pouco o cheiro da chuva no campo, tem que ver o sol se pôr e o sol nascer dentro de uma fazenda, vendo o acompanhamento de cada operação. No final do dia, o proprietário da fazenda, o dono, o gestor da empresa só paga a conta. Quem cria e usa é quem está na ponta.

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